Esch 2022
Esch 2022
Retour

Teixeira Marisa

Terramoto de Lisboa de 1755

   Sábado, 1 de novembro de 1755, Lisboa

 

   Estava uma linda manhã de Outono o sol raiava por entre as nuvens, era dia de todos os santos.

    As missas começaram cedo e sucediam-se em todas as igrejas e capelas da cidade, havia algum movimento nas ruas tal como o habitual nelas passavam idosos e jovens, ricos e pobres que abriam alas para os nobres passarem saudando-os. Ao fundo já se ouvia o som dos sinos a chamarem pelos seus fiéis, misturado com o som da voz das pessoas que para a igreja se dirigiam.

Foi então que se começou a ouvir um som horrível vindo das profundezas da terra, as pessoas ficaram preocupadas com cara de espanto e com um aspeto interrogador pois não sabiam o que se estava a suceder, ouve toda uma agitação, pessoas a correr desesperadamente. A terra não parava de tremer, as casas desabavam, as torres das igrejas caíam, a gritaria das gentes era cada vez maior, algumas das que tentavam fugir eram apanhadas logo à frente pela morte, muros a caírem nas cabeças, e corpos espalhados de pessoas que acabaram tristemente por falecer.

Mas o pior ainda estava para vir, ao fundo viam-se umas ondas gigantes em direção à cidade, o mar começara a crescer como uma montanha ia enchendo, varrendo toda a zona ribeirinha. Derrubando barcos, engolindo quantos se tinham refugiado à borda da água para escapar à queda dos edifícios, o mar entrou pela cidade baixa e inundou tudo quase até ao Rossio.

Depois foi o fogo que se assenhoreou de tudo, ateava-se o lume por todo o lado, este fugia dos borralhos das cozinhas e atiçava-se nas velas caídas das igrejas e de seguida era espalhado pelos ventos.

Muitas pessoas benziam-se, pois pensavam que aquilo era um verdadeiro fim do mundo. No meio do horror e da destruição a terra continuava a tremer, as pessoas, enlouquecidas, procuravam amigos e familiares entre as ruínas e os incêndios, estas gentes ocorriam a esmo sem saberem onde abrigar-se.

Este terror durou cerca de sete minutos. No meio desta infortunidade ouve ainda quem se aproveitasse para roubar algo. Ouviram-se gritos de dor, pânico e desalento no meio de toda a desordem. Muita gente acabou por falecer nas derrocadas das igrejas, na igreja do Sacramento padeceram cerca de setenta e cinco pessoas. No total da população faleceram cerca de quarenta mil pessoas, idosos e jovens, ricos e pobres, tal como aqueles que caminhavam pelas ruas na manhã da catástrofe em direção às igrejas.

Eu fui uma das pessoas que sobreviveram a este terramoto, sim fui uma das, esta sou eu uma jovem sobrevivente de vinte anos a contar tudo o que se sucedeu naquela manhã de sábado, há dois anos a trás tinha apenas dezoito anos fiquei órfã de pai e mãe, ambos faleceram neste terrível e assustador acontecimento, da minha família só restei eu para contar a história. Não ouve tempo de identificar e enterrar corpos, todos foram lançados ao Tejo com pesos atados para se afundarem, o rio Tejo funcionou como um cemitério que Lisboa não tinha, pois tal como disse o Conde Marquês de Pombal “É preciso sepultar os mortos e cuidar dos vivos”.

Hoje, estamos no ano de 1757, já vemos a reconstrução da cidade de Lisboa, foram traçadas novas ruas e praças que permitem, em caso de novo terramoto, pontos de fuga e de concentração da população.

    Concluo assim o meu triste relato, mas ao mesmo tempo esperançoso pela nova cidade e pela nova vida que nós sobreviventes temos pela frente.




Envoy: 11:25 Sun, 15 August 2021 par: Teixeira Marisa age: 16

  Téléchargement